Introduções à Cenografia
Como se pode definir a cenografia? Como se explica afinal o que é esta arte de fazer o imaginário, efémero, real e credível? De que trata a forma de arte que na sua essência é a arte mais abrangente de todas?
São interrogações para as quais não existe uma resposta. Nem uma que seja mais certa que outra. É a questão fundamental que nos junta no meio académico em busca de uma formação naquilo a que chamamos Cenografia.
No decorrer do primeiro semestre, a par e paço dos trabalhos realizados na disciplina de projecto ( apresentados nos publicações seguintes), escrevi uma série de pequenos apontamentos que explicam caminhos abordados e opções escolhidas consoante as estéticas, temáticas e maquetes construídas. Não pretende ser mais que isso mesmo, uma pequeníssima justificação académica, por vezes mal escrita, sem virgulas e com alguns erros ortográficos de palmatória, que me ajude a definir aquilo que sei ser, quero e ambiciono: Cenógrafo.
Luz | a base do cenário
Na concepção cénica existe um elemento fundamental e inegável a toda a condição humana: a Luz. Apesar de existir um mundo sem luz, nesse vácuo espacial ou profundezas oceânicas, o nosso mundo palpável é definido pela presença da luz.
Se nos tempos antigos a luz tinha essa importância religiosa, sendo o escuro da noite remetido para o desconhecido e perigo das trevas, na actualidade tanto o dia como a noite, através da iluminação artificial, têm as suas características próprias de um realismo cartesiano.
A iluminação natural, como única fonte de luz o sol, é a base da existência humana. O nosso organismo rege-se pela presença de luz, e dos horários implícitos que ela em nós estabelece. Os noctívagos que desfrutam pouco da luz natural, têm sempre uma carga negativa a eles associada pela falta que essa iluminação natural tem no ser humano.
Dito isto, e como referência geográfica, a nosso percepção da luz é sempre zenital.
Ao se olhar para uma foto sabemos sempre qual a sua posição relativa baseada nesse conhecimento empírico da posição da luz.
No mundo cénico, nomeadamente no teatral, essa importância ganha novos valores, pois no espaço da ‘black box’ (caixa negra) é justamente a luz a primeira definidora do espaço.

A luz como definidora do espaço. A restrição mutável e transponível.
Através da sobreposição de diferentes luzes, intensidades e cores define-se um espaço que varia entre um breu absoluto até ao branco irrediscente que cega.
Ainda mais importante que o conceito lato de luz é o seu resultado que define o que vemos, a luminância visual ou percepção de sombras. São elas que delimitam
os espaços e definem volumetrias. Se o mundo fosse igualmente iluminado de todos os ângulos possíveis tornar-se-ia plano e bidimensional. Se isto fosse verdade a existência humana pereceria pela estaticidade e não pelo movimento permanente definido pela rotação terrestre e movimento solar.
A luz é a base de tudo. Do crescimento, dos ciclos, da cena. É ela a ferramenta primordial do cenógrafo. É ela a vida do cenário.
















































